"There's no there, there". (W. Gibson. Mona Lisa Overdrive)
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sábado, 29 de abril de 2017

MARXISMO E SEBASTIANISMO

Li Marx aos 17 anos. Recebi depois verdadeira doutrinação na universidade. Durkheim e Weber foram-me apresentados como contraponto às teorias marxistas. Desconfiei, pois o velho Marx apareceu como uma espécie de Dom Sebastião. Suas ideias, que muito bem refletiam a sociedade europeia oitocentista, transformaram-se em dogmas. Houve quem considerasse Marx o grande pensador do século XX. Um engodo, óbvio. Jamais acreditei na influência direta e recíproca da infraestrutura material sobre a superestrutura ideológica. O mundo passava a ser explicado a partir de uma utopia, não a de Morus, mas a do prosélito economista político. Sempre achei as relações humanas muito mais complexas do que o simplismo da luta de classes. Muitas falácias foram desenvolvidas a partir de Marx. Gramsci e outros influenciaram a academia brasileira de uma forma que se dizer estruturalista ou funcionalista resultava em crime capital e exclusão do meio universitário. É triste. Marx foi um bom teórico, mas deixou-se levar pela política e construiu, ou melhor, forjou sua teoria com claros objetivos políticos. Sua descrição das falhas do capitalismo foram, até certo ponto, precisas. Mas suas predições falharam. O que seria teoria virou ideologia e esta tornou-se religião. O apelo à utopia cala fundo em alguns corações mais nobres. Outros a usam com claros objetivos pessoais. Não há altruísmo nesses casos, e sim o egoísmo vaidoso de se sentir defensor de uma causa, de um reino que jamais se instalará. O mundo mudará. As tecnologias transformarão a vida humana, talvez libertando-nos do trabalho. O capitalismo se reorganizará, com suas contradições. E haverá os que continuarão aguardando Dom Sebastião. O marxismo é um sebastianismo.