"There's no there, there". (W. Gibson. Mona Lisa Overdrive)
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sábado, 25 de fevereiro de 2017

GESTÃO EM TEMPOS DE CRISE



Tenho tentado ler alguns textos sobre gestão. Faço-o muito mais para compreender como funciona a mente dos chamados gestores. Algumas ideias são comuns, a maioria bem óbvias.

1. Em tempos de crise econômica e institucional, a valorização e preservação dos talentos de uma empresa é fundamental. Empresas que não agem assim, correm o risco de sucumbir.

2. Muitos dos profissionais não estão empenhados e preocupados com a totalidade da empresa. Querem apenas perceber seus salários e ir para casa no fim do dia. Pesquisas apontam que 13% dos trabalhadores de uma empresa estão efetivamente engajados no trabalho!

3. Muitos gestores não conseguem acompanhar a velocidade do uso de tecnologias de informação na gestão. Não concebem as ações que exigem capacidade para exercer multitarefas e, ainda, estão apegados ao velho modelo de burocrático de horas de trabalho despendidas pelo funcionário. Ainda que o indivíduo nada produza de bom para a empresa durante todo o tempo em que "veste a camisa" (expressão vazia de sentido), o que vale é a aparência de participação. Até os erros e equívocos começarem a aparecer...

4. Empresas que faliram quase sempre buscaram ajuda externa imaginando que o ente alienígena é capaz de retomar o crescimento. Nem sempre. A agente externo não conhece a cultura organizacional. Leva um tempo para que isso ocorra. Seu ingresso na empresa faz-se dentro de uma cadeia de poder, o que pode fazer com que o próprio agente externo não tenha a liberdade para agir como deve. O que aconteceria se esse agente sugerisse a demissão de toda a diretoria da empresa? Seria ele o demitido, claro.
5. O estabelecimento de metas exige planejamento. E o planejamento deve ser exequível, elencando as necessidades mais imediatas.

6. Um plano de comunicação de marketing é a base do desenvolvimento institucional, do ponto de vista interno e externo. Mas esse planejamento tem de ser anual.

7. Vácuos de liderança são absolutamente nocivos no setor público e privado. Em primeiro lugar, demonstram hesitação no comando. Em segundo lugar, dão lugar a especulações indevidas, que podem inclusive afastar os bons profissionais.

8. A centralização de decisões é tão nociva quanto a democracia plena. Ouvir todos os setores e todos os envolvidos nos processos decisórios é uma obrigação. Ficar paralisado diante das opiniões conflitantes é um erro.

9. O argumento de que alguém externo não possui os "vícios" da empresa é um paroxismo. Quando um gestor afirma isso, demonstra total desconhecimento de gestão, pois está indiretamente afirmando que todos os seus funcionários estão prenhes de vícios. Confunde-se assim a cultura institucional, que pode ter suas falhas, e os vícios institucionais, a maior parte deles estimulada pelo próprio gestor.

10. Última regra. "Logo aprendi que não há personalidade eficaz. As pessoas eficazes que conheço diferem amplamente nos seus temperamentos e capacidades, no que fazem e como o fazem, em suas personalidades, em seus conhecimentos, em seus interesses – de fato em quase tudo o que distingue os seres humanos. O que todos têm em comum é a capacidade de fazer a coisa certa."(Peter Drucker)

Fernando Amorim