"There's no there, there". (W. Gibson. Mona Lisa Overdrive)
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quinta-feira, 4 de julho de 2013

1Q84: O IMAGINÁRIO DISTÓPICO DE HARUKI MURAKAMI



Haruki Murakami - 1Q84 (Livro 1) - 430 páginas 1Q84 (Livro 2) - 376 páginas - Editora Objetiva, Selo Alfaguara - Tradução direta do japonês de Lica Hashimoto - Lançamento: Março 2013 
Nos últimos dois meses dediquei parte de minhas noites insones à leitura dos dois primeiros volumes de "1Q84" (grafa-se assim mesmo), do japonês Haruki Murakami. Foram 800 páginas de uma ficção distópica, que faz uma alusão a 1984, de George Orwell (pseudônimo de Eric Blair). Como já havia dito noutra postagem, Murakami é cultuado como um dos maiores escritores japoneses da atualidade. A leitura do segundo volume confirmou a minha impressão inicial de que o livro é, de fato, envolvente, mas “1Q84” não está à altura, por exemplo, de obras como Neuromancer, Count Zero e Mona Lisa Overdrive, que compõem a trilogia do Sprawl, de William Gibson, ou mesmo de "Oryx and Crake" (Le dernier homme), da canadense Margaret Atwood. Com relação a esta última, há uma grande diferença de estilo narrativo entre ambos. "Oryx and Crake" é um romance de antecipação, com idas e vindas entre passado e presente, relatando um futuro sombrio para a humanidade.
       “1Q84” retorna no tempo e se passa em 1984, numa clara referência ao livro de Orwell. O estilo de Murakami é conciso, com diálogos bem postos e descrições de ambientes precisas e objetivas, claramente acentuadas pela tradução. Sua força, porém, está na estória e na imaginação absolutamente feérica do autor, que cria um universo fantástico, muito semelhante ao mundo tal como o conhecemos, mas que deste se diferencia por ter duas luas.
       As estórias de Tengo e Aomame são entrecortadas por inúmeras referências a elementos da cultura pop, o que faz com que o livro trilhe um perigoso caminho que pode levá-lo a ser uma obra meramente comercial ou uma obra de conteúdo mais denso e pretensões artísticas refinadas. Não vou entrar em detalhes para não criar um “spoiler” e frustrar os que quiserem se aventurar nesse universo. O segundo volume, porém, é melhor do que o primeiro. Chamo a atenção para o belo conto narrado no capítulo 8, que descreve a cidade dos gatos.  A Editora Objetiva ainda não lançou o último volume da trilogia. Existe uma versão, editada em Portugal, disponível nas livrarias. Melhor aguardar a edição brasileira.