"There's no there, there". (W. Gibson. Mona Lisa Overdrive)
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sexta-feira, 17 de maio de 2013

1Q84: UMA FICÇÃO DISTÓPICA DA CULTURA POP

Acabo de ler as 430 páginas do primeiro volume de "1Q84" (grafa-se assim mesmo), do japonês Haruki Murakami. Dediquei parte das minhas noites insones nas últimas três semanas a essa ficção distópica, que faz uma alusão a 1984, de George Orwell (pseudônimo de Eric Blair). Como tenho leituras mais urgentes a fazer, dentre elas "Tristes Tropiques", de Lévi Strauss, "À la recherche du temps perdu", obra prima de Proust e, ossos do ofício, doutrina francesa de DIPr (tenho o péssimo hábito de ler várias obras ao mesmo tempo), retardarei um pouco a leitura do segundo volume, mas quero registrar algumas impressões. Murakami é cultuado como um dos maiores escritores japoneses da atualidade. A boa tradução do livro torna-o envolvente, mas creio que 1Q84 não está à altura, por exemplo, de obras como Neuromancer, Count Zero e Mona Lisa Overdrive, que compõem a trilogia do Sprawl, de William Gibson, ou mesmo de "Oryx and Crake" (Le dernier homme), da canadense Margaret Atwood. 1Q84 é também uma trilogia, mas a trama, a meu ver, e até o momento, pois li apenas o primeiro volume, não possui a mesma força narrativa de alguns clássicos da literatura de ficção ou dos "romances de antecipação". Cito como exemplos "Admirável Mundo Novo" e "A Ilha", de Aldous Huxley. É verdade que a distopia da relação entre realidade e imaginação envolve o leitor, em especial na maneira como o livro é composto, alternando-se os capítulos em torno das estórias dos personagens centrais, Tengo e Aomame. Mas a certeza de que os destinos dos dois personagens irão, cedo ou tarde, se cruzar, e a aparente imprevisibilidade da estória, construída a partir de omissões de fatos e informações que o autor insere, em pequenas doses, ao longo dos capítulos, geram uma espécie de "suspense previsível". A despeito disso, como entretenimento de pop culture, o livro vale a pena. Espero que o segundo volume não me decepcione.