"There's no there, there". (W. Gibson. Mona Lisa Overdrive)
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terça-feira, 24 de maio de 2011

ELOGIO DA IGNORÂNCIA: QUEM TEM MEDO DO RELATIVISMO?

        

     Vivemos em tempos realmente muito estranhos... Do lado de cá do Atlântico, alguém do Ministério da Educação pretende disseminar entre os nossos jovens  a ideia de que a utilização da norma culta da língua portuguesa possui o mesmo “status linguístico” da linguagem, digamos, “popular”. É verdade que, sendo a língua um elemento vivo da cultura de um povo, sua utilização não se deve constituir em instrumento de dominação e discriminação. Mas defender a noção, equivocada, frise-se, de que o desrespeito à norma culta pode ser entendido como característico da forma de se expressar de um povo e, por isso, possui o mesmo status ontológico da norma culta, consiste em inadmissível absurdo. Sei que os arautos dessa ideia logo se apressam em rotular seus críticos, taxando-os de reacionários, conservadores, mandatários “das elite” do país, como diria um de seus mais ilustres representantes. Os argumentos “ad hominem” são utilizados com frequência quando não se tem argumentos para o debate de ideias.

      O preconceito linguístico, no entanto, não está na abominável discriminação daqueles que não se expressam segundo os rígidos padrões da gramática, mas no nivelamento por baixo, no elogio da mediocridade, na banalização do erro e na constatação de que o que nos torna diferentes não é a nossa capacidade individual de aprender, acumular conhecimento e nos expressar em conformidade com as exigências dos diversos contextos de enunciação. Mascara-se, assim, a reiterada incompetência de sucessivos governos na gestão de um sistema educacional capaz de incluir aqueles que foram alijados da possibilidade de utilização da língua dita “culta”. Não conseguimos alfabetizar nossas crianças. Digamos-lhes, pois, que é absolutamente natural expressar-se com inobservância dos padrões gramaticais. Não conseguimos fazer um jovem chegar ao ensino superior com habilidades e competências suficientes para ler e interpretar um texto. Justifiquemos essa incapacidade com o argumento de que a crítica a formas consideradas “inadequadas” de expressão constitui preconceito linguístico que deve ser expurgado.
     Volto a frisar: não estou legitimando qualquer atitude discriminatória contra aqueles que não se expressam segundo os cânones da gramática. Como “antropólogo” diletante, durante alguns anos debrucei-me sobre a linguagem popular estudando os significados simbólicos dos discursos e narrativas dos chamados “curadores de cobra”, figuras que hoje quase desapareceram do cenário cultural nordestino, mas renderam um excelente estudo do alagoano José Pimentel de Amorim. A experiência ensinou-me a compreender e valorizar a riqueza da linguagem popular. Entendo perfeitamente que a intenção do MEC é desenvolver nos jovens a tolerância em relação às várias formas de expressão linguística. Mas tolerância e relativismo não querem dizer necessariamente a mesma coisa. Ser relativista não significa levar ao extremo a tolerância. A excisão do clitóris de meninas na Somália e no Sudão, por exemplo, é efetuada sob o argumento de que se trata de um elemento da cultura tribal. Pode-se até compreender, com um olhar relativista, que a prática de fato representa uma manifestação da cultura local. Mas não se pode ser tolerante com essa prática. Pessoalmente, considero alguns valores inegociáveis, por dizerem respeito à condição humana, e a noção de relativismo cultural não se sobrepõe a esses valores.
          Devemos entender que o uso da língua pode ser utilizado como instrumento de dominação e de exclusão social, mas isso não significa que devamos equiparar os cânones da norma culta, aprendida nas escolas, às expressões da linguagem das ruas. Como bem afirma Adrualdo Catão: “A língua realmente não tem um padrão absoluto, pelo que a língua falada tem critérios muito mais abertos. Mas há ambientes linguísticos muito mais fechados e essa normatividade não tem nada a ver com preconceito. Não dá para mudar esses espaços pela vontade de alguns, ou pela vontade de muitos até. Essa normatividade é própria do ambiente.”  Realmente, vivemos em tempos bastantes estranhos. Resta-me o consolo de que, doravante, posso defender-me dos meus erros gramaticais rotulando aqueles que os apontarem de preconceituosos. 

  Para finalizar, transcrevo um divertido argumento do blogueiro Erick Cerqueira: “Os professor já tá ruim de explicar pra os alunos o q é certo e errado, imagine agora explicar certo x errado x adequado x inadequado?

MaIs tb, qual o pobrema de si iscrevê errad… digo, inadequado? No fim do ano todo mundo passa mermo…   
Só o q me réta é q já num tô mais na iscola. Diboa, hj deve ser massa istudá. Num perdi de ano, pode “pegá o baba” o dia todo, ó q massa. E se a profesora brigar a gente processa ela por constragimento.

Então pra acabar o texto,vou usar uma frase de Uilian Cheikspi: tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim…

Fim.

PS. Tô ligado q deve tê umas coisa errada ai no texto. Mas como tô na net, deve sê adequado digitá assim, né não?"

domingo, 1 de maio de 2011

Governo Eletrônico: perspectivas do governo e do cidadão. Seminário sobre Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais (2010)

Publico mais um vídeo disponível no portal Zappiens Experimental. Trata-se de mesa redonda do Seminário sobre Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, realizado em 2010.