"There's no there, there". (W. Gibson. Mona Lisa Overdrive)
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sábado, 7 de agosto de 2010

PARTIDOS PIRATAS



Em setembro do ano passado escrevi um post sobre a lei Hadopi francesa, que se tornou conhecida por estabelecer limites para a pirataria na Internet e foi bastante criticada pela tentativa de regulamentar o ciberespaço, um ambiente que é, simultaneamente, ubíquo e desterritorializado. Volto agora ao tema para tratar dos chamados “Partidos Piratas”, pouco conhecidos no “mundo real”, porém muito atuantes na rede. Faço a ressalva de que a oposição entre real e virtual não é adequada, pois o virtual é tão “real” quanto o próprio real, e a mantenho aqui apenas por questões de estilo, pois o senso comum acostumou-se a efetuar essa distinção.

No verão de 2009, uma eleição legislativa regional realizada na 10ª circunscrição de Yvelines, França, apresentou 08 candidatos. Dentre esses candidatos, Maxime Rouquet, engenheiro de computação, de 23 anos, que trabalha com a criação de jogos para videogames, apresentou-se como representante do pouco conhecido Parti Pirate, ou Partido Pirata, como é denominado seu congênere no Brasil. A preocupação com os destinos da Internet na França, com a aprovação da lei Hadopi, transformaram o jovem  Rouquet em militante da versão francesa do Partido Pirata Internacional, um movimento criado timidamente na Suécia, em 2006, e que hoje assume uma dimensão verdadeiramente internacional, com representações em mais de 40 países.M. Rouquet decidiu ingressar na política partidária ao assistir os debates parlamentares sobre a lei Hadopi. Como ele próprio declarou a Yves Eudes, do jornal Le Monde, o absenteísmo e o adesismo dos deputados o deixaram desanimado. Muitos sequer sabiam o que estavam votando. Rouquet concluiu que somente a participação política efetiva poderia mudar aquele estado de coisas. A decisão não foi em vão. Como balão de ensaio para vôos futuros, Rouquet obteve cerca de 2% dos votos no primeiro turno, realizado em setembro de 2009.

O resultado nas urnas e arranjos políticos locais transformaram a participação dos Piratas nas eleições. A transferência de votos dos Piratas passou a ser disputada pelos Verdes e pelo candidato da UMP, Union pour le Mouvement Populaire, partido de centro-direita do qual faz parte o próprio presidente da França, Nicolas Sarkozy. Tanto a candidata dos Verdes quanto o representante da UMP apressaram-se em declarar que eram contrários a aprovação da lei Hadopi. As declarações não seduziram os Piratas, que se mantiveram neutros. Sem o apoio de Rouquet, a candidata  Verde, Anny Poursinoff, perdeu a eleição por cinco votos. Os Piratas, contudo, saíram fortalecidos do pleito. Mas o que vem a ser, efetivamente, o Partido Pirata Internacional?A resposta não parece muito clara, ainda. O movimento nasceu, como já dito, em 2006, na Suécia. No ano seguinte, o governo sueco aprovou uma lei que proibia a troca de arquivos no sistema peer-to-peer e fechou o site The Pirate Bay. As ações do governo findaram por provocar um movimento contrário de repulsa. O movimento dos Piratas ganhou adeptos, fortaleceu-se. O que antes era apenas uma organização de jovens que protestavam na Rede contra o controle da Internet e defendiam a livre circulação de bens culturais, findou por se transformar em partido político. Em junho de 2009, o Partido Pirata sueco elegeu um representante para o parlamento europeu, obtendo 7,1% dos votos. Uma votação expressiva para um partido político que nasceu da revolta dos jovens suecos contra as tentativas do governo local de controlar a Internet.